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A quem recorrer quando a confiança também está em julgamento?

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Assisti à sessão do Supremo Tribunal Federal com tristeza, indignação e uma sensação profunda de desamparo. Ao ouvir a ministra Cármen Lúcia manifestar vergonha e pedir desculpas ao povo brasileiro, pensei no quanto aquelas palavras encontravam eco em mim.

Eu também estou triste. Eu também estou envergonhada. Mas, como brasileira, sou parte do povo que espera explicações, respostas e respeito.

A sessão tratava de questões relacionadas à eventual investigação do ministro Alexandre de Moraes no contexto do caso Banco Master e de Daniel Vorcaro. Diante da televisão, precisei lembrar a mim mesma: aquilo não era ficção. Era real. Eram autoridades da mais alta Corte do país, e o que acontecia ali tinha consequências para todos nós.

Não escrevo para antecipar culpa. Suspeitas precisam ser investigadas, acusações precisam de provas, e o direito de defesa deve ser assegurado a qualquer pessoa. Justamente por acreditar nesses princípios, espero que sejam aplicados com o mesmo rigor a quem ocupa os cargos mais elevados da República.

O que me angustia é a sensação de que o cidadão está cada vez mais distante das instituições que deveriam protegê-lo. Quando a discussão pública se perde em confrontos pessoais, a pergunta essencial fica sem resposta: a verdade será esclarecida?

Minha indignação ultrapassa um nome, um tribunal ou um episódio. Ela nasce do desgaste acumulado ao acompanhar denúncias e escândalos que atingem o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. A corrupção, quando ocorre, não prejudica apenas contas públicas ou reputações. Ela retira oportunidades, compromete serviços e destrói a confiança de quem trabalha, paga impostos e tenta viver com dignidade.

A ganância de poucos pode custar muito à vida de muitos.

Penso na mãe que espera atendimento para o filho. No trabalhador que conta moedas para comprar comida. No aposentado que precisa escolher quais despesas conseguirá pagar. Para essas pessoas, ética e responsabilidade pública têm consequências concretas, todos os dias.

Não considero todos os agentes públicos desonestos. Sei que existem pessoas sérias, comprometidas e corajosas nas instituições. É também por respeito a elas que não podemos aceitar que suspeitas sejam abafadas, que privilégios prevaleçam ou que a falta de respeito se torne rotina.

A quem recorrer? Em quem confiar?

Hoje, sinto que estamos órfãos de referências públicas capazes de nos oferecer segurança. Órfãos da certeza de que a lei alcançará a todos. Órfãos de respostas à altura da gravidade do que vemos.

Um pedido de desculpas pode reconhecer uma ferida. Para começar a repará-la, precisamos de transparência, apuração independente e responsabilização quando houver culpa comprovada.

Como brasileira, quero poder confiar. Quero olhar para as instituições e reconhecer nelas compromisso com a verdade e respeito pelo povo.

A minha tristeza é real. E a minha cobrança também.

Redação

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