A Secretaria da Educação de Camaçari, por meio da Coordenação de Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER), vem fortalecendo desde o início da atual gestão uma série de ações voltadas à construção de uma educação antirracista, decolonial e comprometida com o reconhecimento das identidades presentes na rede municipal de ensino.
Mais do que cumprir legislações como as Leis 10.639/03 e 11.645/08, que tornam obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira, africana e indígena nas escolas, o município vem consolidando uma política educacional baseada no pertencimento, valorização das identidades e combate às desigualdades raciais dentro do ambiente escolar.
Entre as ações já realizadas pela Seduc está a formação promovida em parceria com a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), que alcançou cerca de 300 educadores da rede municipal. Também foram desenvolvidas formações em Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER) nas próprias unidades escolares, envolvendo docentes, não docentes, gestores, coordenadores pedagógicos e estudantes.
Outro destaque foi o projeto “Aquilombando Camaçari”, que reuniu exposições de práticas exitosas desenvolvidas nas escolas municipais, além da criação do Prêmio Educador e Educadora Antirracista Iara Bispo, iniciativa voltada ao reconhecimento de experiências pedagógicas comprometidas com a valorização da diversidade e da educação antirracista.
As ações incluem ainda formações com professores, rodas de conversa com estudantes, debates sobre identidade, pertencimento e representatividade, além de campanhas educativas voltadas ao fortalecimento da autoestima de crianças e adolescentes negros e indígenas dentro do espaço escolar.
Segundo a coordenação de Educação Étnico-Racial, responsável pelas iniciativas, a educação antirracista precisa dialogar diretamente com a realidade social e cultural de Camaçari, município marcado por forte ancestralidade e presença de comunidades negras, quilombolas, indígenas, de terreiro e povos itinerantes.
“A escola precisa reconhecer os sujeitos que fazem parte desse território. Quando estudantes conseguem se enxergar nas histórias, nos livros, nos projetos e nas referências apresentadas dentro da escola, isso também impacta autoestima, permanência e aprendizagem”, destacou a coordenação.
A Seduc também desenvolve atualmente a Campanha de Autodeclaração da Rede Municipal, iniciativa que busca ampliar o reconhecimento identitário dos estudantes por meio de ações pedagógicas, materiais audiovisuais, campanhas de comunicação e mobilização das unidades escolares.
Entre as próximas ações previstas estão o I Encontro Formativo ERER 2026, marcado para o próximo dia 28 de maio, com palestra da professora doutora Letícia Pereira, pesquisadora do Observatório do ODS 18, além do Julho das Pretas em Rede, do Novembro Negro e da continuidade das formações e rodas de conversa nas escolas municipais.
Outro ponto de destaque das iniciativas é o diálogo constante com produções literárias de autores negros e indígenas, fortalecendo práticas pedagógicas que ampliam representatividade, valorização cultural e letramento racial dentro da rede municipal de ensino.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que mais de 80% da população de Camaçari é negra, realidade que reforça a importância da construção de espaços educacionais que reconheçam, valorizem e respeitem a diversidade presente no município.


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