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Pescadoras e Marisqueiras de toda Bahia participam até 25 de julho de formação em fitoterapia

Mulheres participam ainda no dia 25 de julho da Marcha do Julho da Pretas em Salvador

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Por tempos, silenciadas e violentadas por uma sociedade misógina, machista e racista. Mas, a mais tempo ainda, esbravejam aos quatros cantos do mundo, que não mais serão caladas. Pois, como diz a escritora Conceição Evaristo. “nossa fala estilhaça a máscara do silêncio”. E muitas são as armas, entre elas, processos curativos e melhorias alimentares. Somando-se a esta luta, o Conselho Pastoral de Pescadores Bahia-Sergipe realiza desde o dia 23 até 25 de julho o curso “Formação e Troca de Saberes Fitoterapia - Julho das Pretas”, no Centro de Treinamento da EBDA (CTN), em Itapuã, em que pescadoras e marisqueiras estão a aprender como utilizar as plantas e ervas para fins medicinais e como suplementos alimentares. 


Durante os três dias de formação, pescadoras e marisqueiras estão aprendendo na teoria e na prática sobre os processos de colheita, higiene, armazenamento, controle de contaminação das plantas, assim como, da argila (geoterapia). Estão a aprender os benefícios e aplicação da babosa (erisipela), repolho (edema e dor), da argila (sinusite, processos inflamatórios e feridas). “O objetivo é que elas possam multiplicar nas comunidades o que estão a aprender”, pontua Zezé Pacheco, secretária executiva do CPP regional Bahia.


Pensando neste processo formativo e de luta por melhores condições de vida para mulheres negras, o CPP Ba/Se realiza nesta quarta, 24 de julho, a roda de conversa “O Poder das Águas: a trajetória de luta das Mulheres Negras”, a partir das 19h, na CTN EBDA, com a participação de Mãe Jaciara (Ilê Axé Abassá de Ogum), Eliete Paraguassu (Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais - MPP), Gicélia Cruz (Coletivo Negro Evangélico) e Simone Alves (Coletivo Mahim), onde serão compartilhadas as trajetórias de mulheres negras na luta contra o racismo, contra a intolerância religiosa e pela proteção de seus territórios. 


No dia 25 de julho, às marisqueiras e pescadoras irão participar da Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, que terá concentração na Praça da Piedade, a partir das 14h, e segue em direção ao Terreiro de Jesus. As ações integram também a Semana Mundial dos Manguezais. 


Julho das Pretas

O dia 25 de julho é o Dia Internacional da Mulher Afro Latino-Americana e Caribenha e Dia Nacional da quilombola Tereza de Benguela e das Mulheres Negras. Criada em 1992, a data foi reconhecida através da lei nº 12.987/2014, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff, no dia em que também são celebradas Tereza de Benguela e a Mulher Negra. É neste evidenciar e lutar por direitos, que mulheres negras e afros latino-americanas marcham nas encruzilhadas dos centros urbanos para reivindicar por pautas que tragam melhorias de vida e saiam de situações de vulnerabilidade social.


Mulheres da Pesca

Em sua maioria as pescadoras são mulheres negras e toda a invisibilidade, desvalorização do seu trabalho, da sua contribuição econômica, política e cultural se relaciona com o racismo estrutural e institucional que assola a sociedade brasileira. “Estas mulheres negras das águas seguem com maestria enfrentando o racismo e o machismo de cada dia e liderando as lutas das comunidades na defesa do território, do modo de vida e de suas famílias, sonhando com a transformação das suas condições de vida”, declara Zezé Pacheco. 


O CPP vem refletindo nos processos de formação e na sistematização de sua metodologia sobre estas intersecções do racismo, com o sexismo, o machismo, e que essas ações se dão no cotidiano da vida das mulheres negras pescadoras e/ou agentes pastorais. “Para garantir um futuro melhor e justo precisaremos enfrentar o racismo e o sexismo que juntos determinam as desigualdades já relatadas e coloca um contingente imenso de mulheres brasileiras em situação de vulnerabilidade social”, enfatiza Zezé Pacheco.

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